O texto mais lindo que já li sobre a AMIZADE…

O Amigo Anônimo

(Texto de Neila Diniz, publicado na revista "Vida e Saúde" em fevereiro de 1994)

 

Na cúpula da capela dos Estudos Bíblicos em Illinois, Estados Unidos, existe um monumento que guarda a história de uma amizade sincera, que demonstra o espírito de amor e abnegação em favor de outrem. As "mãos postas" foram esculpidas por um famoso pintor e escultor do século XVI.

Albretch Durer nasceu em Nuremberg, na Alemanha, em 21 de maio de 1471. Quando era jovem conheceu um rapaz de quem se tornou grande amigo. Os dois trabalhavam juntos em uma oficina de escultura em madeira. Ambos apreciavam a pintura e desejavam tornar-se pintores de sucesso. Porém, tanto um como o outro vinham de famílias pobres e já moravam juntos para poupar as despesas. Como poderiam conciliar os estudos, que exigiam dedicação e tempo integral, com o trabalho que lhes proporcionava o sustento?

Então surgiu uma idéia que podia solucionar-lhes os problemas. Um deles se dedicaria completamente aos estudos de pintura e escultura enquanto o outro trabalharia. Depois, o que se dedicara aos estudos, com sua arte pagaria os estudos do que ficara trabalhando.

Essa parecia ser a única saída para que os dois tivessem a oportunidade de realizar o sonho em comum. Ao mesmo tempo que ficaram felizes em achar uma possível solução, também sentiram-se confusos. Afinal, qual deles devia ir primeiro?

Durer achava que seu amigo, cujo nome é desconhecido (alguns o chamam de Hans), devia ser o primeiro a ir estudar.

_Vá. Eu ficarei trabalhando. Você é o mais velho – disse ele.

_Não – protestou Hans. _Você deve ir, pois tem mais talento. Eu ficarei trabalhando para mantê-lo. Não se preocupe comigo. Quando você voltar, eu irei.

Esse argumento não convenceu Durer. Ele insistia em que o amigo fosse. Como não chegavam a uma conclusão de quem devia ir, Hans deu uma sugestão:

_Vamos jogar uma moeda para cima. Se der cara, você vai, se der coroa, então vou eu.

Assim fizeram. Jogarm a moeda para cima, e deu cara.

Durer arrumou suas malas, despediu-se de Hans e foi para Viena, onde estudou com o melhor e mais conhecido pintor daquela época.

Conforme combinado, Hans ficou trabalhando. Primeiramente em um restaurante. Era-lhe difícil prosseguir em sua arte porque quase não sobrava tempo. Logo só aquele serviço não foi suficiente para custear os estudos de Durer e Hans começou a trabalhar em uma ferraria. Não demorou muito e suas mãos finas e sensíveis tornaram-se grossas e cheias de calos. Ele poderia ter deixado aquele emprego e tentado realizar o seu sonho. Mas, não desistiu. Preferiu cumprir a palavra que dera ao amigo.

Finalmente, Durer concluiu os estudos e regressou a Nuremberg para, com o seu trabalho, retribuir o que o amigo lhe fizera. Com a venda de seus quadros poderia sustentar e manter os estudos de Hans. Não sabia o que o trabalho árduo lhe causara.

Entrou silenciosamente, na ponta dos pés, no quarto do amigo, pois queria lhe fazer uma surpresa. Abriu a porta bem devagar e ouviu a voz de Hans, que orava. Ele estava com as mãos postas, aquelas mãos operosas que tornaram possível a realização de seu sonho. Durer se entristeceu ao ver as mãos calejadas de Hans, que já não possuíam a sensibilidade necessária a um pintor, e que estavam asssim por sua causa.

Hans sabia que nunca mais poderia tornar-se pintor, mas não se importava com isso. Estava orgulhoso de ter ajudado o amigo.

Albretch Durer tornou-se muito famoso como pintor e escultor. Atualmernte é considerado o principal vulto da escola alemã de pintura. Põrém, ele nunca pôde esquecer aquelas mãos e por isso retratou-as em um quadro e posteriormente esculpiu-as  em granito. Também cuidou para que Hans nunca mais tivesse que trabalhar tão arduamente.

O nome de Hans continua anônimo nas artes. Não encontramos nenhum registro que fale se suas grandes obras. Talvez os apreciadores da pintura e escultura desconheçam o seu nome. No entanto, ele foi responsável pela criação de um artista e, a escultura de suas mãos tornou-se símbolo de uma amizade sem limites, capaz de esquecer-se do próprio eu para ajudar a um amigo. Apesar de não ver o seu sonho realizado, Hans desenvolveu uma arte maior, que é inerente a poucos: a de ser um verdadeiro amigo. – Neila Diniz.

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2 respostas a O texto mais lindo que já li sobre a AMIZADE…

  1. Ronildodlinor diz:

    Gostei dos textos aqui publicados, meu caro Ivanir; continue divulgando a poesia e tb a cozinha portuguesa: boa esta receita…

  2. Lucy diz:

    Ola, a historia realmente e muito linda, mas em nome da verdade e do respeito pela veracidade da historia de uma personalidade tao conhecida como Albrecth Durer, informo que a pintura denominada por ele "As Maos" foi feita em homenagem ao seu irmao Albert Durer com quem realmente disputou com uma moeda o destino de cada um. Albert Durer trabalhou numa mina para sustentar os estudos de Albrecht e perdeu a sensibilidade para a pintura em consequencia de artrites e trabalhos pesados e era tao talentoso quanto Albrecht. Se pesquisar um pouco mais, vera muitas biografias, de diversas partes do mundo, que confirmam a mesma historia. Uma delas podera encontrar em http://www.geocities.com/juanvergino 
    Estou certa que a historia verdadeira e mais linda e emocionante ainda. Felicidades! 

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