Poesias de minha autoria

Vaso partido
(Ivanir Faria)
 
Como o mármore
Represado em uma laje,
Encontrei-te angustiado.
 
E com talento e labor
moldei-te ao meu gosto,
Vaso mágico, detalhado em arabescos.
 
Mas tão frágil tu tornastes
Que sucumbistes ao primeiro toque
Precipitado de minhas mãos,
Então calejadas do cinzel.
 
Partistes em cacos mil
E como ao cristal quebrado,
Cicatrizes pegam-te mal.
 
Não há remendos, nem há cola
Que recuperem a beleza de outrora
Pois fora o destino que o transfomara
Quando, enfim, chegou a tua hora.
 
Moldei-te como o queria ter
E rasguei a verdade intrínseca de ti.
Anulei-te perante a ti mesmo
Pensando fazer-te um bem.
 
E agora, sem tê-lo comigo
É que vejo: fui tolo
Exerci o talento dos Deuses
Quando devia lapidar o talento dos Homens.
 
 
 
 
Agradecimento
(Ivanir Faria)
 
Obrigado, meu amor
por ter-me querido por algum tempo
Mesmo que por pouco quis fazê-lo.
 
E mais obrigado, ainda
Por ter-me rejeitado a tempo
De evitar novos versos
De amor calorosos
Quando de sua parte
O frio já desfolhava nossa árvore.
 
Escrevo, agora
Verso de indiferença bruta
Pois, ó poeta!
Sê sincero.
Senão com a vida,
Pelo menos consigo mesmo!
 
 
 
 
A dor do Não-Vivido
(Ivanir Faria)
 
Há sombras no mundo do Homem,
Ser que busca experiências
Do que vive, sorri, chora e relembra
Mas que do não-vivido, só lamenta.
 
Lamenta por não ter sorrido
E sofre numa viagem interior.
Como implica-lhe a alma sofrida,
Se nada, então, foi real?
 
Há sombras de horas concretas
Da luz que as realiza
Mas falta, ainda, ó pobre homem
Nas vagas lembranças ou quimeras
Verdade. Pois tudo foi nada; não foi.
 
Se se pensa e faz, é facto.
Quando somente imaginas
E só trabalhas a mente, é mentira.
E de facto nada se fez; nada.
 
Vagas sombras, ainda mais vagas
Que passam assim como o homem se vai
Ou quando quebra-se a luz.
Se sombra e luz se desfazem há dor
e o não-vivido então, de facto existiu!
 
 
 
 
 
 
Em espera…
(Ivanir Faria)
  
Quando penso em você
É com o pensamento dorido.
Temos muito em comum,
Mas que ainda não foi vivido.
 
Sinto seu cheiro na pele,
Marcas de um amor exaurido.
Entretanto, falta-me na alma
As marcas do amor sentido.
 
Mas, como tudo remete ao passado,
Como se fôra sentido,
Sabemos que o encontro, promessa
Não foi de todo esquecido.
 
Faltou-nos aconchego e calor.
Éramos terra misturada
Mas não tivemos água capaz
De produzir a argila.
 
 
E agora, não sei o que sinto,
Se choro, calo ou consinto.
O que era um sentimento a crescer,
Agora é a dor do não-vivido.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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