Van Gogh e Paul Gauguin: Amantes ou Rivais?

Eram Gênios, Mas Geniosos…
Texto: Ivanir Faria
Em finais de 1888,  numa casa alugada em Arles, sul da França, o pintor holandês Vincent Van Gogh recebeu como visita o também pintor Paul Gauguin, que era francês. Durante nove semanas os dois artistas passaram a pintar, trocar ideias e, principalmente a discutir. É que o temperamento inconstante de ambos dificultava qualquer conversa amena, fato que resultou numa tragédia que marcou profundamente as vidas de ambos e toda a História da Arte Moderna.
O Encontro
Van Gogh e Paul Gauguin se conheceram em Paris, no inverno de 1888. Descobriram-se diferentes em caráter e estilo, mas tinham pontos em comum: ambos começaram a pintar tarde, por volta dos 27 anos de idade. Eram autodidatas e compartilhavam de um sentimento de “deslocamento do meio artístico parisiense”, apesar de Van Gogh ter-se inspirado em Rubens, Rembrandt, Millet e Delacroix, e de Gauguin ter como referência Degas e Cézanne.
Os dois partilhavam  das ideias dos impressionistas, mas estavam cansados das regras rígidas que impunham, da ligeireza do tom e dos temas. Daí nasceu a grande ideia de Van Gogh a ser compartilhada com o amigo…
Gauguin aceitou o convite de Van Gogh para partilharem a Casa Amarela, uma modesta construção alugada pelo anfitrião na Primavera anterior, e em 23 de outubro, já com as folhas mortas anunciando o inverno instalou-se num dos três quartos da casa.
O ambiente estava alinhado. Nas semanas anteriores à chegada do amigo que era admirado com fervor, Van Gogh andou num frenesi doméstico a por tudo em ordem. Inundou as paredes de quadros pintados freneticamente. Para o quarto destinado ao amigo, o artista dedicou três exemplares dos célebres giras sóis.
Nessa noite Van Gogh não conseguiu esconder o sentimento de exaltação: mostrava-se esperançoso e otimista, sentimentos até então raros na vida do pintor. Seu sonho era o de criarem o Estúdio do Sul, uma comunidade de artistas atraindo a atenção do mundo das Artes para Arles.
Os primeiros dias transcorreram bem, como sempre acontece no início de uma visita. Distanciando da representação Naturalista, Van Gogh encontrou nas pinceladas fortes a sua forma de expressão na pintura. Gauguin, ao contrário, adotou os contornos definidos, repartindo suas cores em finas camadas homogêneas… Assim foram nascendo os quadros nas primeiras semanas. Paul era separado da esposa Mette e pai de cinco filhos. Vincent apenas vivera desilusões amorosas, primeiro com uma prima, depois uma ex-prostituta, não aceita por sua família. A convivência não continuou pacífica pois Gauguin parecia não apreciar a devoção de Vincent, não se entusiasmou com as criações do amigo e odiou a comida, passando ele a preparar suas refeições. Além disso, o modo frenético de Vincent contrariava a necessidade de calma, de silêncio que exigiam as pinturas de Paul. Este, por sua vez, já famoso, não suportava críticas. O outro, humilde, inseguro e “romântico” (nunca tinha vendido um quadro, recorde que levou até a morte), queria absorver tudo do amigo. As suspeitas da relação homossexual entre os dois eram dissipadas com suas visitas regulares ao bordel de  Madame Virginie, tudo controlado dentro do orçamento doméstico, rigorosamente repartido e controlado até o último franco.
Mas nove semanas depois, já na véspera do Natal o clima entre os dois esquentou. No meio de uma violenta discussão, Van Gogh tentou agredir Gauguin com uma navalha de barba. A seguir, refugiado em seu quarto cortou parte de sua orelha esquerda. Alguns dizem que esse pedaço de seu corpo seria oferecido ao amigo como prova de amor… Mas disso ninguém dá provas. Foi, então, hospitalizado e seu ferimento tratado. Apavorado, Gauguin rumou-se para Paris nessa mesma noite. Mais tarde Van Gogh foi internado em um asilo psiquiátrico de Saint-Rémy.
Os “amigos” voltaram a trocar correspondência e quadros,  mas  nunca mais se viram.
Em julho do ano seguinte Van Gogh suicidou-se. O artista não suportou as feridas da sua alma, aquelas que intensificaram após essa relação conflituosa, somadas àquelas que veio experimentando ao longo de seus 37 anos de vida: vivia com a ajuda financeira e psicológica do irmão Theo, um negociante de arte em Paris que sempre acreditou que o talento do irmão acabaria por ser reconhecido.
Gauguin viveu mais tempo, tentou o suicídio também, passou fome no Taiti e morreu igualmente na miséria, aos 54 anos nas Ilhas Marquesas.
Opostos Se Atraem
Talvez seja o fato de serem tão diferentes o mote da união espiritual e física de Vincent e Paul. Ambos procuravam um caminho, uma busca da perfeição, onde cada um ao seu modo deixaram-se levaram a confluir suas vidas. Talvez Van Gogh se deixara apaixonar pelo amigo e nem saber exatamente o que estava a lhe acontecer. Talvez Gauguin, mais centrado na vida tivesse percebido essa paixão e dela tivesse se esquivado. O fato concreto é que, anos depois encomendou sementes e plantou giras sóis ao lado de sua cabana no Taiti e dois anos antes de morrer, em 1901 pintou uma cadeira cheia dessas flores. Talvez visse nelas a figura do amigo, agora mais do que nunca ao teu lado. Talvez as poucas semanas de convívio tenham surtido o efeito desejado em seus corações, fazendo nascer uma espécie de amor, como como fez nascer uma revolução na Arte Impressionista. Tudo talvez…
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Uma resposta a Van Gogh e Paul Gauguin: Amantes ou Rivais?

  1. Alessandro diz:

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