Leque: o ar condicionado da antiguidade.

Ondas de Calor… Leque ou arma de sedução?
Maria Callas: leque em cena  no papel de Viloletta Valleriy, da Opera “La Traviatta” de Giuseppe Verdi.
Conta a lenda que o primeiro leque foi uma asa de Zéfiro, arrancada de suas costas por Cupido para que o deus Amor abanasse sua amada Psiché, adormecida em seu leito de rosas …
Os leques existem há mais de 3 mil anos. Por muito tempo foram símbolo de nobreza. No século 16, eles chegaram à Europa, vindos da China e Japão. O primeiro exemplar surgiu em Lisboa, no ano de 1543. Duzentos anos depois, já fazia parte da alta sociedade e era feito com papel fino pergaminho, seda e até couro e fixados em marfim. Alguns eram até folheados a ouro e incrustados com pedras preciosas. Na década de 1920 e 1930, o leque deixou de ser símbolo de status. A indústria passou a utilizá-lo como meio de propaganda de vinho e chocolate, por exemplo. Sinal dos tempos modernos?

A energia elétrica com seus ventiladores e aparelhos de ar condicionado relegou ao passado os delicados e românticos leques, estes instrumentos refrescantes que nos remetem ao tempo em que os cavalheiros, com punhos e golas de renda cortejavam as belas damas, que por intermédio dos leques animavam as suas esperanças ou golpeavam mortalmente os seus sonhos …

Para as jovens damas da sociedade da época, o leque era um acessório indispensável, controlado pelas mães. Afinal, o leque, quem diria, era a única possibilidade de as moças flertarem à distância. Tocar a borda do leque com o dedo significava “quero falar com você”. Abrir e fechar o leque e encostá-lo na bochecha queria dizer “você me agrada”.

Onda portuguesa
Em Portugal e em outros países de clima quente o leque continua a ser um acessório muito útil quando a temperatua sobe… O clima quente, mas principalmente seco reaviva a tradição do uso desse charmoso abanador…
Há em diversas casas especializadas em objetos tradicionias os leques pintados a mão, confeccionados com madeira levíssima e adornados com rendas delicadas…
Mas hoje os leques perderam o valor de outrora. São confeccionados com material barato, importados aos milhares da Ásia e vendidos por preços irrisórios. Os leques de verdade são cada vez mais raros.
Os leques populares “made in China” são réplicas feitas aos milhares mas que tem a mesma serventia: fazem um ventozinho na cara e alivia o calor das senhoras…
Um Museu de Leques

O casal Marie-Luise e Günter Barisch é aficcionado por leques. Tanto que os dois possuem um museu na cidade de Bielefeld, onde estão expostos 160 desses acessórios, originários de uma coleção que começou em 1980 com viagens pela China, Japão e Europa.

Um museu do leque é quase tão raro quanto esse requintado acessório. Na Europa, além da Alemanha, só existem mais dois museus do gênero, em Londres e Paris. O primeiro leque do casal Barisch foi adquirido em uma feira de antigüidades. Ele retrata o casamento de Maria de Medici com Henrique IV da França. O leque tem 250 anos e é um dos mais esplendorosos da coleção.

Outro leque luxuoso é o com que Ludwig II presenteou no ano de 1878 sua prima Elisabeth da Áustria, conhecida como a imperatriz Sissi. O museu possui também o leque das bodas de ouro do imperador alemão Guilherme I.

Nota: Agradeço ao Raoni Pontes pela correção na legenda da foto de Maria Callas.

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2 respostas a Leque: o ar condicionado da antiguidade.

  1. Ankh diz:

    Estou pesquisando a origem do abanador japones e parei por aqui. Obrigada por compartilhar estas informações. Grande beijo, Ankh.

  2. Na verdade , Maria Callas está no papel de Viloletta Valleriy, da Opera “La Traviatta” de Giuseppe Verdi

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