Cristina Branco, Artista a Entoar o Fado…

Fado Não se Canta, Fado se Entoa…
 
O Fado é um lamento… O Fado é uma mágoa cantada de forma chorosa… O fado é o canto onde uma história qualquer ganha pesar e o fadista tem de entoar seu hino de forma  magistral, afinal ele tem de encantar o público, como faz o canto de uma sereia…
 
 
Cristina Branco é uma fadista da Nova Geração, se assim se pode dizer dos novos e populares cantores de  Portugal.

Nada na vida de Cristina Branco indicava que o seu destino seria o fado, até ao dia em que o avô lhe ofereceu um disco de Amália Rodrigues.

Cristina nasceu na vila de Almeirim, onde ainda hoje reside, muito longe das casas de fado do Bairro Alto, em Lisboa. Como acontece com quase todos os jovens portugueses nascidos depois da Revolução dos Cravos, os seus interesses musicais passavam pela canção popular, pelo jazz, pelo blues, pela bossa nova, mas não pelo fado. No seu entender, esse era o género de uma outra geração – mas as suas certezas ficariam definitivamente abaladas no dia do seu 18º aniversário, quando o seu avô escolheu para prenda o álbum «Rara e Inédita», de Amália Rodrigues, a mais importante voz de Portugal do século XX.

De repente, Cristina Branco descobriu toda a emoção que o género podia conter, na sua íntima ligação entre voz, poesia e música. Pouco a pouco, a intérprete amadora, estudante de Comunicação Social e com ambições de fazer carreira na área do Jornalismo, começou a desenvolver a sua técnica vocal e a levar muito a sério a nova vocação. Tal como outros jovens músicos que, desde meados dos anos 90, encontraram no fado a sua forma de expressão, contribuindo para uma surpreendente renovação da canção de Lisboa, Cristina Branco começou a definir o seu percurso, onde o respeito pela tradição caminha lado a lado com o desejo de inovar.

Em 1997, uma breve passagem por um programa televisivo conduziu a um convite para actuar na Holanda, para a comunidade portuguesa que ali residia, e desse primeiro espectáculo como profissional haveria de sair um disco, «Cristina Branco Live in Holland», que, embora tenha apenas sido editado localmente, conheceu êxito imediato. O seu segundo álbum, «Murmúrios», na verdade o primeiro gravado em estúdio, marcaria decisivamente a sua carreira, ao receber em França o prestigiado prémio «Choc de l’Anée du Monde de la Musique», na categoria de world music. Os convites para actuar ao vivo multiplicaram-se e o seu destino estava definitivamente traçado: Cristina Branco haveria de ser fadista.

O seu terceiro disco, «Post-Sriptum» (1998), foi novamente premiado pelo Monde de la Musique, e a sua fama foi crescendo, assim como a qualidade da sua presença em palco. Com centenas de concertos já efectuados – do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, ao Festival de Edimburgo, na Escócia; do Concertgebouw, em Amsterdão, às salas de Nova Iorque, onde se estreou em Janeiro de 2001 -, as actuações ao vivo são a melhor forma de dar a ver a sua arte. Se, por um lado, Cristina Branco apresenta o recolhimento próprio da tradição do fado, por outro lado ela exibe uma sensualidade muito própria, numa conjunção de extremos opostos que é só sua e catalisa a admiração das audiências, independentemente de compreenderem ou não o sentido das palavras que canta.

A arte de Cristina Branco é inseparável de Custódio Castelo, seu marido, seu principal compositor e seu acompanhante, na guitarra portuguesa. A cumplicidade entre ambos é indiscutível, e Custódio Castelo conseguiu conjugar na perfeição a originalidade da sua música com as tonalidades e o requebros da voz de Cristina. As suas melodias encerram em si a memória do fado, mas também sabem ir mais longe, não se limitando ao velho desfiar dos lugares-comuns sobre a palavra «saudade». A sua música é, por vezes, triste e fatalista, mas também sabe ser alegre e luminosa, residindo nesse balanço de atmosferas a sofisticação da sua abordagem do fado.

Se nada na vida de Cristina indicava que o seu destino seria o fado, temos hoje de admitir que Cristina Branco está a criar um estilo: um grupo tradicional (voz, guitarra portuguesa, viola e viola-baixo); uma voz simultaneamente leve, quente e sentida; uma mistura de fados tradicionais, temas próprios e canções populares, sempre com o cuidado de escolher as palavras dos melhores poetas portugueses.

Em 2000, prestou a sua homenagem à Holanda, país onde iniciou a sua carreira e que por ela sente um indesmentível afecto, com a gravação de um álbum inteiro dedicado ao poeta holandês Jan Jacob Slauerhoff, que viveu algum tempo em Portugal. Lançado apenas na Holanda, «Cristina Branco Canta Slauerhoff» chegou a disco de platina. Em 2001, Cristina Branco lançou o seu quinto álbum em cinco anos. Chama-se, muito justamente, «Corpo Iluminado».

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