Amália Rodrigues: Uma Vida, Muitos Fados!!!

 
 
Fados e Flores: Amália Rodrigues em Resumo…
 
Ivanir Faria
 
 
 
 
Foi somente em 1945 durante uma visita ao Brasil que Amália Rodrigues se deixou convencer a entrar em um estúdio de gravação para registrar a sua voz interpretando seus fados em oito discos de 78 RPM. Aos 25 anos de idade, a fadista jamais pensara que aquele trabalho saíria do Rio de Janeiro e chegaria a Portugal, e só por isso se deixou levar pela proposta de imortalizar nos discos de vinil "Ai Mouraria!", "Ojos Verdes", "Carmencita", dentre outras canções.
De volta à terrinha, já de fama cristalizando e voz ecoando por todo o país, Amália foi-se moldando a uma estranha forma de vida. Desde muito cedo percebeu que ficaria fora das paixões convencionais, por isso nunca saiu à procura do Amor. Talvez por isso, ele também não veio…
Entretanto, a solidão espiritual e pessoal muitas das vezes rodeou a mulher que se refugiava na cantora, livrando-a,  assim,  desse fa(r)do pesado.
Além do canto, Amália buscava a cor, o sol, as amizades e o riso, e principalmente as flores como forma de se entreter e seguir vida afora.
Refugiada numa casa em São Bento, esperou o fim isolada. Foi aos poucos perdendo a saúde e a voz. Restava o nome, ícone da mais famosa tradição portuguesa: FADISTA!
E foi na madrugada de 6 de Outubro  de 1999 que chegou ao fim as "ilusões que nunca tivera".
O corpo foi transladado para um sarcófago no Panteão, em Lisboa. Foi a primeira mulher a ganhar lugar junto a presidentes, generais, heróis e poetas, reis e cardeais.
Cristalizada referência no gênero, Amália, "A Fadista" soube que seu nome ficaria para sempre marcado como  a cantora que soube tocar no mais profundo do ser português.
 
 
 

Uma casa portuguesa

Amália Rodrigues

Música: V. M. Sequeira; Artur Fonseca
Letra:
Reinaldo Ferreira

 

Numa casa portuguesa fica bem
pão e vinho sobre a mesa.
Quando à porta humildemente bate alguém,
senta-se à mesa co’a gente.
Fica bem essa fraqueza, fica bem,
que o povo nunca a desmente.
A alegria da pobreza
está nesta grande riqueza
de dar, e ficar contente.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera…
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!

No conforto pobrezinho do meu lar,
há fartura de carinho.
A cortina da janela e o luar,
mais o sol que gosta dela…
Basta pouco, poucochinho p’ra alegrar
uma existéncia singela…
É só amor, pão e vinho
e um caldo verde, verdinho
a fumegar na tijela.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera…
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!

 
 
 
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