“_Amália, canta-me o fado…”

 
 
Amália Rodrigues: "Eu sou o Fado liberto"
 
Ivanir Faria
 
 
 
"Em Portugal era uma fadista, lá fora, uma artista".
Com esta, e muitas outras declarações preciosas, Amália Rodrigues se definiu
ao narrar para Vítor Pavão dos Santos a sua autobiografia.
O livro é rico em texto e em imagens. Nele, Amália revela-nos que "o fado não se canta,
acontece; sente-se, não se compreende, nem se explica".
"Dizem que o Fado nasceu no Brasil", mas para fazer o sucesso internacional que conseguiu, a "artista" foi mais além. Considerando-se uma "cantora ibérica" devido o apreço pela música espanhola rumou-se para a França e foi em Paris
que encontrou abertas as postas para o reconhecimento.
Gravou, no Rio de Janeiro em 1945, escondido dos patrícios os seus mais conhecidos sucessos.
Trabalhou a voz e o repertório e a partir de então, e, com uma genialidade própria de quem nasceu para brilhar, atingiu o topo: é a mais importante fadista portuguesa.
"Nunca fui à procura dos sucessos, como outros artistas.
Nunca cantei coisas que estavam na moda".
Talvez a forte personalidade e o fato de fazer no palco o que sempre quis
tenham sido os grandes responsáveis pela realização de seu sucesso absoluto.
"Sempre cantei de tudo: marchas, folclore, cantiga de roda… e o público
sempre me acompanhou, portanto o conceito `Portugal é Amália´ não é o meu", sentenciava.
Talvez o nome "Amália" seja um signo da genialidade.
De certeza, fica-nos a voz eternizada.
"Gostava de morrer de repente", declarou ao escritor.
 "As pessoas deviam ser como as maçãs, cair da árvore"…
A maçã Amália caiu da árvore da vida, sozinha em sua casa
na rua São Bento, 193, em Lisboa na madrugada de 6 de outubro de 1999.
 

"Amália"

Letra e Música: José Galhardo/ Frederico Valério

 

Amália, quis Deus que fosse o meu nome

Amália
acho-lhe um jeito engraçado
bem nosso e popular
quando oiço alguém gritar
Amália
canta-me o fado
Amália
esta palavra ensinou-me
Amália
tu tens na vida que amar
são ordens do Senhor
Amália sem amor
não liga, tens de gostar
e como até morrer
amar é padecer
Amália chora a cantar!
Amália
disse-me alguém com ternura
Amália
da mais bonita maneira
e eu toda coração
julguei ouvir então
Amália p’la vez primeira
Amália
andas agora à procura
Amália
daquele amor mas sem fé
alguém já mo tirou
alguém o encontrou
na rua com a outra ao pé
e a quem lhe fala em mim
já só responde assim
Amália? não sei quem é!
 
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