Bairro do Chiado: O Coração da Lisboa Antiga… e da Atual!

 
 

Café “A Brasileira”

 

Ivanir Faria

 

Disse um escritor lisboeta de vanguarda que,

sendo Lisboa a capital de Portugal,

o chiado era a capital de Lisboa.

Ramalho Ortigão chamou o chiado de “colina vaidosa”

Em 1988  um gigantesco incêndio devastou o histórico bairro do Chiado,

considerado o coração de Lisboa. Para se ter uma noção do tamanho estrago,

esse  incêndio só se compra a outra tragédia em Portugal: o terremoto de 1755,

que matou mais de 30 000 de seus habitantes e destruiu

grande parte do centro de sua capital.

No Chiado ainda pode-se respirar o ambiente romântico do século dezenove.

Como num túnel do tempo, podemos imaginar as senhoras com os seus vestidos

compridos cheios de folhos com um ramo de violetas a enfeitar-lhes o peito,

os chapéus igualmente adornados de flores, pássaros, ou plumas.

Os  cavalheiros trariam chapéus altos lustrosos, sobrecasacas e,

nas mãos enluvadas, bengalas de castões lavrados.

Indo mais além pode-se espreitá-los a entrar no café e sentar

para tomarem um  chá com torradas fofas, bem barradas de manteiga,

por volta das cinco da tarde.

E para embasar nossa imaginação, no Chiado  ainda está um café histórico, 

o famoso “A Brasileira”, ponto de encontro dos ativistas e intectuais da época.

Eram eles  atores, políticos, jornalistas e escritores.

Em suas mesas  forjavam-se revoluções e nasciam escolas literárias.

Nesse ambiente sonharam-se  livros, telas d epintura, revistas e assaltos ao poder.

Enquanto iam engolindo a “bica” escaldante, acompanhada pela simplicidade

de um copo d´água ou de um bagaço corrosivo, nossos ufanistas literatos

eram vistos e admirados.

Assim aconteceu com poetas como Fernando Pessoa

( e ele era cliente também, de um café frente ao Terreiro do Paço,

sob arcadas setecentistas, o “Martinho da Arcada”)

e Antonio Botto; com pintores como Abel Manta e Almada Negreiros;

 com actores como Beatriz Costa e João Villaret;

e, até com  bombistas, conspiradores e plácidos agentes

da política (que houve) sem disfarce.

 

No “ A Brasileira” de hoje está uma das estátuas mais famosas de Lisboa,

a mais procurada do Chiado. Em frente ao café os curiosos turistas ou não,

encontram-se com Fernando Pessoa. Fica ele ali, sentado à espera

de um companheiro para tomar uma “bica”. A cadeira vazia,

também em bronze  ao seu lado é um convite irrecusável a sentar-se

 à mesa do escritor.

Ninguém, nessa hora se lembra que Pessoa morreu em 1935, pois

nesse momento mágico, o poeta está ali “em pessoa”, sentado numa mesa na esplanada

em pose eterna para uma fotografia e atento a tudo que ao seu redor acontece.

E há muito para ele observar: além dos passantes descendo ou subindo

a rua Garret, os sedentos nas mesas ao lado, os que chegam

e assentam em bandos para degustar uma especialidade da casa 

acompanhada de muitas cervejas ou os  que mal têm tempo

para um golo e seguir seus compromissos.

 

Mesmo em pose de gesticulação, pronto a receber um aperto de mão e

entre uma conversa com um interlocutor,

Pessoa parece não distrair perante os tinidos das marretas e

o deslizar dos andaimes que esforçam-se para recuperar

as antigas e mal preservadas construções do Chiado…

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Viagens. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s