E Assim Nasceu a Famosa Estátua de David…

David: Um Auto-Retrato Espiritual de Miguel-Ângelo

 

Ivanir Faria

 

O pensar em esculpir David, o pastor de Israel, foi um pretexto

para Miguel-Ângelo Buonarroti para fazer ecoar um grito

de liberdade sobre a Florença do ano de 1501.

A Escritura fala de um garoto que derruba um gigante, mas a obra-prima

que nasceu durante vinte e oito meses de árduo trabalho

tornou-se afinal em um “gigante”, apelido dado à estátua pelo povo florentino.

Tinha Miguel-Ângelo vinte e seis anos quando iniciou a cinzelar

um grande bloco de mármore que se encontrava quase abandonado

próximo à igreja de Santa Maria del Fiore. Era dia 13 de Setembro de 1501,

 mas antes disso foi preciso uma acirrada disputa entre Buonarroti,

Leonardo da Vinci e Andrea Contucci. Os três artistas renomados

cobiçavam aquela matéria-prima, mas a arte da escultura era

propriamente a de Miguel-Ângelo, embora ele fosse muito mais jovem

que seus concorrentes.

Também movia em Buonarroti o interesse financeiro.

Pela obra ele recebeu a soma de 400 florins de ouro, quantia significativa

para o artista que precisava sustentar o pai, os irmãos

e sobrinhos com o seu trabalho.

O corpo do “gigante” em nada se parece ao do seu criador.

Aquele, musculoso e harmonioso, de expressão resoluta, altivo e desdenhoso,

 de casta e máscula beleza difere-se deste: Miguel-Ângelo não

era belo, era miúdo, tímido, taciturno e ensombrado artista.

Mas por quê falar então em auto-retrato? David revela o espírito

viril de um herói que quer derrotar todos os possíveis competidores.

Assim era exatamente Buonarroti. Ao vencer a disputa do bloco d

e mármore, primeiramente a Leonardo da Vinci, que era seu inimigo,

Miguel-Ângelo já começa a dar-se por vencedor.

O seu “gigante” foi o hino à juventude imortal, que quer combater para vencer,

vencer para libertar. David expande a energia dura de quem vai abater o inimigo.

Seus olhos fitam o alvo, seus lábios silenciam, a perna prepara o pulo,

a mão firme segura o seixo.

O Renascimento foi a firmação de uma nova juventude do Mundo

na era quinhentista e precisava de um símbolo: ergueu-o Miguel-Ângelo ao lapidar

David com extremo poder plástico. Uma obra com algo de titânico,

tirada de uma pedra estropiada e abandonada.

Na verdade, o escultor tinha a vontade de erguer em sua Pátria

uma prova de seu valor, uma obra que fosse um reflexo de sua alma

apaixonada, severa, insatisfeita e impaciente.

Deu-se por satisfeito e hoje temos a prova da solidez de sua Arte…

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