Como Nasce Uma Inimizade?

 

Miguel-Ângelo e Da Vinci: Inimigos Por Quê?

 

Ivanir Faria

 

 

“Dois bicudos não se beijam”, reza o dito popular.

Talvez por isso os  maiores gênios do Renascimento Italiano nunca tenham se suportado.

Conheceram-se em 1495, mas a antipatia foi mútua.

Da tentativa falha de realizar em bronze a mais grandiosa estátua

equestre do Duque Francesco Sforza, Da Vinci nunca se recuperara.

Depois que Buonarroti cutucou-lhe nessa ferida ainda aberta,

o ódio tornou-se latente e a rixa nunca mais parou entre eles…

 

 

 

Não é lenda: Miguel-Ângelo Buonarroti e Leonardo Da Vinci eram inimigos mortais.

Não rivais somente na Arte, mas inimigos pessoais. O primeiro, genioso

e imperativo sentenciava que a pintura era Arte menor que a Escultura.

Aquela, mais destinada às mulheres e aos efeminados.

A outra, destinada aos verdadeiros artistas que deveriam ser, antes de tudo,

fortes para lapidar uma pedra dura. Mesmo em suas pinturas,

realizadas contra sua vontade e por imposição dos papas,

nota-se os traços que mais se adaptariam a uma escultura.

Fato é que Buonarroti começava carreira quando a de Leonardo,

23 anos mais velho já estava consolidada, assim, sentia por ele “mistos de repugnância

quase física, desdém, orgulho e ainda inveja.

A elegância de Leonardo parecia-lhe feminilidade. Filho de família nobre,

tinha ares aristocráticos enquanto ele, vindo de um pai pobre,

era rude, viril, um operário robusto e decidido,

perante Da Vinci, um gentil-homem delicadíssimo.

Também, é fato que Da Vinci vivia mais para a pesquisa científica,

para os inventos, principalmente os bélicos, que para as Artes.

Ambos criadores, geniais, sonhadores. Mas Buonarroti era mais presente,

enquanto Da Vinci era mais futuro.

As obras de Leonardo, encomendas muitas das quais inacabadas l

he serviam de sustento por alguns meses, ou pretexto para alojá-lo nas côrtes.

As obras de Miguel-Ângelo eram para permiti-lo manter a família

financeiramente estável e para torná-lo rico

em propriedades de terra, de imóveis.

De Leonardo temos de herança abundantes notas sobre suas observações

da natureza e do mundo. Autodidata, foi “discípulo da experiência”,

artista das sensações num esforço constante de recriar o mundo.

Perambulou pela aritmética, arquitetura, astronomia, engenharia e pela

história natural, sem contudo se firmar em um ramo só

ou concluir muitas das questões levantadas.

Miguel-Ângelo, profeta do eu soberano de visão ciclópica,

buscava a idéia  perfeita. Tanto se esforçou para isto que foi,

além do maior escultor do Renascimento, pintor, escultor,

arquiteto e poeta, mostrando-se nessa última o seu íntimo,

revelando-se de tal maneira que, graças aos seus sonetos

foi possível reconstituir a maioria dos fatos incógnitos de sua longa

existência de 89 anos marcada pela solidão.

Que poderiam ter dado ao mundo se tivessem juntado sua genialidade

numa só busca, numa só entrega?

Mas o bifurcar dos caminhos de ambos só nos faz crer que

cada um à sua maneira deixou muito mais à posteridade.

Talvez não merecêssemos ter, vindas de quatro mãos uma ou mais obras geniais.

Talvez precisássemos confrontá-los para tentar a um mais amar,

A um mais perdoar. Essa obra, a de tentar decifrá-los

talvez seja a nossa missão.

Teria nascido deles tal intenção?

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