Vida e Morte: Antagonismo em Virginia Woolf

 
 
Carta Suicida
 
Ivanir Faria
 
Na manhã luminosa de 24 de Março de 1941, a escritora
Virginia Woolf escreveu duas cartas.
Uma para o marido Leonard, outra para a irmã Vanessa.
Na primeira, explicava que estava de novo ouvindo vozes e que tinha
a certeza de que nunca mais se refaria:
"Tenho a certeza de que estou enlouquecendo novamente.
Deste-me a maior felicidade possível (…)
Não creio que duas pessoas pudessem ter sido mais
felizes até essa horrível doença aparecer. Não posso lutar mais."
Pegou a seguir na bengala e atravessou o prado até o rio Ouse.
Já antes fizera uma tentativa frustrada para se afogar,
mas desta vez meteu antes uma pedra no bolso do casaco.
Entrou na água, passo a passo, encontrando-se finalmente com a Morte.
O seu desgosto, explicara tempos antes à amante
Vita Sackville-West, era que aquela (a morte),
"a única experiência que nunca descreveria."
 
 
"Querido Leonard,
Olhar a vida de frente, olhá-la sempre de frente
e saber como ela é.
Finalmente… sabê-lo. E amá-la pelo que ela é e depois…
Pô-la de lado.
Leonard, entre nós sempre os anos.
Os anos, sempre.
Sempre…
… o amor
Sempre…
…as horas.
(Virginia Woolf)
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