Atemporal, há temporal…


 

Antes do tempo aprendi que não se pode ter tudo,

Mas o pouco que nos calha deve ser valorizado ao extremo.

Muito cedo descobri as sensações da carne, da dor e do
prazer

E com elas tive de lutar, muito cedo, lutar.

Mais cedo do que precisava passei a descrê nas amizades, a
olhar o “amigo” estrabhamente para conhecê-lo melhor

Pois a dor da traição desperta um potencial inimigo.

Muito cedo, muito medo, muito choro…

 

E quanto tenho tudo sob os pés, a areia movediça engole tudo

E tenho de agarrar-me nas teias frágeis da negra aranha.

A tamanha força de vontade impulsiona-me a sobreviver

E de novo  consigo
erguer os olhos e mirar ainda mais longe

Porque muito cedo, antes do tempo descobri as fontes de vida
nova.

 

Muito antes  de outros
que, enquanto sorriam faziam-me pensar,

Entendi muitos mistérios da vida e da morte.

Enquanto via-os inertes na vida eu corria contra meu próprio
tempo.

Ao ouvir murmúrios e zombarias eu mentalizava hinos
gloriosos,

A musicalidade dava lugar aos gritos, aos gemidos, aos
lamentos.

Foi muito cedo que tomei decisões para um futuro que nada
prometia, além da liberdade.

 

Hoje é muito cedo, ainda, para pensar em colheitas.

A plantação cresce lentamente, há as regas e podas,

O mau tempo às vezes é constante, o sol que arde não se
apaga.

Muito cedo, ainda… e ao mesmo tempo, tarde demais!

                

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