Os Segredos de Uma Pele Perfeita

Pó-de-Arroz: O 
Cosmético Milagroso

 Ivanir Faria

Final dos anos 70. Recordo que minha mãe, como a maioria das
mulheres,  jamais saía de casa sem
levá-lo na cara e na bolsa. Incontáveis vezes a vi agarrar numa latinha redonda
com uma da mãos e com a outra esponjar a face. Essa era já uma imprescindível ajuda
para deixá-la mais bonita e com uma aparência saudável, uma vez que o batom não
era bem visto na boca de uma senhora de respeito…

 Descobri a senha para
a magia da beleza da mulher:  o
Pó-de-Arroz. O mais popular cosmético da história, junto do batom, levava
vantagem pois jamais sofrera censura. Imortalizado e propagado por todas as
divas do cinema, o pó-de-arroz teve o seu auge até fins da década de 1970. A
saída de cena do pó-de-arroz, que notabilizou-se nos anos 80 e 90, estaria
diretamente ligada ao novo estilo de vida das mulheres. Definitivamente
integradas no mercado de trabalho, ficou muito mais cômodo usar uma maquiagem
completa do que retocá-la várias vezes ao dia. O milagroso pó perdeu força
também devido à tamanha a demanda dos cremes anti-rugas, das bases e sombras,
rímel e outros tantos cosméticos e dotados de mil outros componentes como os
pigmentos e brilhos. Mas mesmo assim o fiel cosmético não saiu totalmente de
circulação, nem das mãos de minha mãe.    Agora volta o uso do Pó-de-Arroz
pois além de mascarar a oleosidade da pele, ele esconde pequenas imperfeições e
dá um aspecto uniforme à maquiagem, e vem aliado a uma série de novas tecnologias,
tonalidades, muitas até brilhantes, tudo isso para resgatar esse  artificio tradicional na beleza feminina. A
recente afirmação da cultura segundo a qual é mais charmoso o uso de leves
artifícios de embelezamento, sem falar das campanhas contra o bronzeado, acabaram
contribuindo para o  retorno á moda do
popular cosmético.

A Origem do Pó-de-Arroz

No  Ocidente, as
referências ao uso do pó-de-arroz datam antes mesmo do início da era cristã.
Era feito, claro, à base de farinha de arroz, daí o seu nome. As romanas, por exemplo,
utilizavam-se dele para ficarem mais atraentes e com uma expressão saudável. As
celtas, não se sabe se estimuladas pelas pinturas dos maridos guerreiros,
também faziam uso, só que o produto era constituído de farinha de goma fina.
  Registros apontam também que as mulheres da Idade Média o
conheciam, assim como aquelas do Renascimento. Mas, foi a partir do século XVI,
quando conquistou Paris e o seus nobres, que o pó-de-arroz tornou-se chique. Naquela
época, os rostos pálidos eram aqueles da aristocracia, enquanto os corados
destinguiam os trabalhadores do campo, que pegavam sol o dia todo.
  Daquele período em diante, o pó-de-arroz se espalhou pelo mundo,
tornando-se, também, a maquiagem das senhoras das ex-colônias, a exemplo do
Brasil. Nos anos 30 e 40 do século passado, explodiu de vez, ajudado pelo
cinema. Exalando um leve perfume de rosa, as mulheres dos anos 30 e 40 passavam
a idéia que estavam sempre frescas.

 

Expo Pó-de-Arroz

Em Torino, norte da Itália, foi aberta em fevereiro e se
estendeu até maio de 2007 uma mostra que contou a epopéia do Pó-de-Arroz ao
longo dos séculos. Além dos aspectos históricos de sua afirmação, retratados
através de textos, estiveram  expostas
raridades, como uma coleção de 200 modelos das épocas mais variadas, muitos dos
quais com o pó e a estrutura dos estojos devidamente conservados. O modelo
criado na Itália especialmente para homenagear Greta Garbo também chamou a atenção
dos visitantes.

Pó de Arroz

Letra e Música de Carlos Paião


Pó-de-arroz


Na face das pequenas
Será beleza apenas
Só uma corzinha

Sim, pó-de-arroz (Pó, ahaa)
Rosa é, mulher o pôs
E um homem vai nas cenas
Eva e Adão outra vez

É como alindar um embrulho
Arroz com gorgulho talvez

Pó-de-arroz
Do teu arrozal
Esse pó que é fatal
És a tal que me encanta
Com pó-de-arroz
Não faz nenhum mal
É de arroz integral
Infernal quando chegas
Com todo o teu arroz
Todo o teu arroz

Pó-de-arroz
Tens hoje só p’ra mim
Pós de pirlim-pim-pim
E és um arroz-doce

Sim, pode ser
Um canto de sereia
Serei a tua teia
E tu serás o meu algoz

Mas quando te vais alindar
Alindada vens dar-me o arroz

 

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