José Saramago, Será Mago das Palavras???

 
 
 
 

A Maior Flor do Mundo

( Reescrita a Pedido de Saramago)

Ivanir Faria

 

Havia uma aldeia chamada Azinhaga, plantada numa região conhecida como Ribatejo, no coração de Portugal.

De uma família de camponeses, ali nascera um menino que se chamava José porque esse era também o nome do santo de devoção de sua Mãe.

Ainda bebé de colo, José conhecera a figura do santo, pois ficava horas ao pé da imagem ouvindo sua Mãe rezar. São José trazia num braço o Menino e no outro uma haste com flores brancas. Aí, nessas flores é que o bebé, o José, nosso herói prendia sua atenção. Aprendera, desde então,  a gostar muito das flores…

(Estamos na primeira página e acho muito cedo para o menino sair e se aventurar pelo mundo e fora dele. Vamos deixar isso para a próxima página…)

 

Alguns anos se passaram. José crescia entre os poucos familiares: Além da Mãe e do Pai, uma Irmã mais nova, com quem às vezes brincava. Tinha uma Avó um tanto caduca, de quem pouco se aproximava, talvez por ter muita imaginação e ver na senhora uma figura que lhe metia medo. Ah, havia ainda um Tio que aparecia quando bem lhe apetecia e de novo sumia (tanto é que dele já me esquecia).

Estava José nos fundos do quintal a tentar salvar as mirradas flores que possuía e, de regador em mãos, resolveu cruzar a mata das azinheiras para chegar até ao rio.

 

Encheu o regador e mirou a correnteza a  pensar onde é que toda aquela água iria parar.

“_Será que segue para regar mil campos de flores mais viçosas do que as que eu tento salvar?(“Vou ou não vou?”)

E foi. Sem mais pensar. Abandonou ali seu compromisso e rumou à aventura de descobrir que flores haviam pelo Mundo, diferentes das suas minúsculas margaridas.

Seguiu a correnteza até quando mais não pôde. Desaguou no mar e misturou-se às águas salgadas.

Na lombada de um golfinho camarada viajou léguas e milhas, para além da costa, até aportar em uma praia, numa ilha distante, da qual nem o nome sabia.

 

Adentrou corajosamente naquelas terras para ver no que aquilo ia dar. Cruzou campos, subiu e desceu montantas, sempre sozinho pois por aquelas bandas não se via uma alma viva, nem uma borboleta razante, nada, um sinal sequer. Viu muita verdura, mas nada de flores ali. Era de admirar!

Continuou rumo Norte (Isso bem verdade não é. Nem eu, nem ele possuímos uma bússola para saber, mas esse “Norte” aconchega bem a frase, tem grande efeito literário…).

Quando subiu uma encosta o que é que viu ele? Era uma flor, mas nem parecia, de tão grande que era. Mas tão murcha estava ela que chegavam ao chão suas pétalas tronchudas…

Ali, vendo aquela agonia, dela teve pena e sentiu-se compromissado em salvá-la. Água, nem da chuva, nem do rio, nem da talha. O Rio… Havia passado por um grande rio, mas tão longe ele estava!… “Não importa”.

 

 

 

“Desce o menino a montanha,

Atravessa o mundo todo,

Chega ao grande rio Nilo,

No côncavo das mãos recolhe

Quanto de água lá cabia,

Volta ao mundo a atravessar,

Pela vertente se arrasta,

Três gotas que lá chegaram,

Bebeu-as a flor sedenta.

Vinte vezes cá e lá,

Cem mil viagens à Lua,

O sangue nos pés descalços,

Mas a flor aprumada

Já dava cheiro no ar,

E como se fosse um carvalho

Deitava sombra no chão”.

 

Cansado, José adormeceu debaixo da flor. Em casa, os pais mais que aflitos procuravam pelo menino. Cantos, caixas, moitas, nada! Família, vizinhos e amigos procuraram e também nada encontraram.

Era já sol-pôr e avistaram uma enorme flor na colina.

“_Não estava nada ali. De onde surgiu essa flor?

Correram curiosos, um após o outro, em fila. Ao lado do caule robusto estava caída uma pétala perfumada, com todas as cores do arco-íris. O primeiro que chegou teve medo e ficou quieto. O segundo e o terceiro igualmente paralisados. Por fim chegaram os pais ofegantes. Com coragem ergueram a pétala gigante e delicadamente tomaram o filho nos braços.

 

Em casa, o menino continuou a dormir durante muitas horas. Quando acordou, correu à janela e gritou:

“_Onde está a flor gigante? Onde está ela?

Mas não viu nenhuma colina e nem a maior flor do mundo.

Perguntou à Mãe se a vira.

“ _Foi só um sonho, José…” Respondeu carinhosamente. Tomou o filho pela mão e o levou de volta para a  cama aconchegando-o sob uma pesada manta perfumada, listrada nas cores do arco-íris…

 

Muitos e muitos anos depois, José retornou à ilha de Lanzarote e ali decidiu viver para sempre.

Todas as manhãs ao acordar vai à janela e vê uma colina. Nessa hora recorda a cena em que sua Mãe, a maior Mãe do mundo, depois de um pesadelo o aconchegara na cama cobrindo-o com uma perfumada pétala de flor… (ivanirfariaarrobahotmail.com)

FIM

 
 
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Uma resposta a José Saramago, Será Mago das Palavras???

  1. wania maria diz:

    Que linda estória meu amigo. Parabens. Tú és muito especial, te dollo.

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