Doces Conventuais

501 Doces Conventuais… É de dar água na boca!

Em Portugal, quando ainda não haviam hotéis,  reis, nobres, arcebispos, figuras políticas e religiosas tomavam pousadas nos conventos. Todas estas estadias de “celebridades da época” transformavam-se em motivos para banquetes. Se coincidia com o aniversário do monarca, do abade ou da abadessa, meu Deus! As mesas cresciam ainda mais. E se caísse na altura da Páscoa ou Natal, só mesmo S. Fortunato, o patrono das boas mesas, para interceder para o perdão dos pecados da gula cometidos naqueles sagrados edifícios!

Já tratei aqui dos “Doces Conventuais”, uma de minhas paixões gastronômicas em Portugal e volto a eles. Do mais famoso doce, o Pudim do Abade de Priscos, passando pelo Bolo de Santa Clara ou do Creme do Bispo, só de ler as receitas já salivamos. Ganhei o livro “501 Receitas Conventuais da Península Ibéria”, organizado por João Serra. Como esclarece o título, os doces conventuais vão além fronteiras, chegam à Espanha e além mar, precisamente aos Açores, Ilha da Madeira e Canárias. Gemas e amêndoa prevalecem como ingredientes principais. Os nomes sugestivos dos doces aguçam o paladar… Vale a pena conferir!

Mosteiro de São Bento de Avé Maria - 1894

Mosteiro de São Bento de Avé Maria

Em 1518, o rei de Portugal, D. Manuel I cedeu terrenos de sua fazenda no Porto e mandou ali erguer o Convento de Avé Maria ou da Encarnação das monjas de São Bento. No dia 6 de Janeiro de 1535 chegaram as primeiras freiras, todas transferidas dos mosteiros dos montes para a cidade, como desejara o rei.
O Real Convento pode ser imaginado como uma maravilha no estilo manuelino, em decoração e magnificência. Deduz-se, pois foram muitas as alterações e aditamentos qua a igreja e o convento sofreram durante os anos, a última motivada por um incêndio em 1783.

No início do século XIX, instalou-se o Liberalismo. Sob este regime, criaram-se os decretos de 1832 e 1834, determinando que depois de extintas as ordens religiosas, se confiscasse os seus bens  para o Estado após a morte da última religiosa. No caso do Mosteiro da Avé Maria, esta terá falecido em 1892, ficando as instalações devolutas. Contam-se várias histórias de que, em certas noites, ainda é possível ouvir as rezas da monja a ecoar pelos corredores das alas da estação!

Cortejo no ano de 1894 no Largo de São Bento (actual Praça de Almeida Garrett), com antigo Mosteiro de São Bento de Avé Maria à direita.

O Mosteiro de São Bento de Avé Maria foi por fim demolido no final do século XIX, em 1894 e a igreja em 1900 para dar lugar à  atual Estação Ferroviária de Porto-São Bento, em …… Na demolição perderam-se preciosidades como os azulejos-tapete, mas restam algumas peças litúrgicas espalhadas em alguns museus do país. As ossadas das monjas foram recolhidas numa catacumba mandada construir no cemitério do Prado do Repouso pela Câmara Municipal do Porto, em 1894.  Contam-se várias histórias de que, em certas noites, ainda é possível ouvir as rezas da monja a ecoar pelos corredores das alas da estação, construída onde antigamente rezava a última freira daquele convento!

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