Estremoz, Em Portugal e os Tremoços

Estremoz e os Tremoços

O tremoço é uma leguminosa da mesma família da ervilha e da fava.  Rico em proteína e fibra alimentar e pouca gordura, é conhecido desde há cerca de três mil anos. Com a farinha de tremoço confecionam-se bolachas, pães, biscoitos e massas. Também é usado em rações animais, na indústria farmacêutica e como “adubo verde” para os solos, dentre outras aplicações.
Para os vegetarianos, o tremoço apresenta-se como mais uma leguminosa de opção, aumentado o leque de escolha dos fornecedores de proteína de alto valor biológico na dieta humana.

Tremoços e Azeitonas à Venda nas Feiras Populares: Na Mesma Bancada Em Sinal de Igualdade, ou Em Disputa de Importância?

Em Portugal, é comum a venda de tremoços em feiras populares e nas ruas. As senhoras prepararam os tremoços da seguinte forma: compram os “feijões” de tremoço secos (em mercearias tradicionais, como por exemplo na Casa Chinesa situada na Baixa da cidade do Porto) e os colocam de molho em água de um dia para o outro. Depois fervem-se numa nova água durante vinte minutos. Arrefecendo, colocam-se num alguidar em água limpa que deve ser mudada duas a três vezes por dia durante cinco ou mais dias. Quando já não estiverem amargos podem ser conservados durante bastante tempo (no frigorífico) em água temperada com sal regularmente renovada e, opcionalmente, adicionando-lhes alho e/ou ervas aromáticas tais como orégãos ou louro.

D. Cecilia,Vendedora de Tremoços em Mirandela, Ensinando-me Como Se Preparam os Grãos...

O nome de Estremoz,  Concelho do Alentejo, em Portugal,  está associado a tremoços através de uma lenda. O primeiro brasão conhecido de Estremoz remonta ao reinado de Afonso IV (1325-1357), onde consta uma árvore, mas não se sabe ao certo se é um tremoceiro.

Antigo Brasão de Estremoz - Um "Tremoceiro" no Centro

O nome Estremoz pode estar relacionado com Extremo, ou seja, terra de fronteira. Esta hipótese é cimentada no facto de durante largos períodos durante os avanços e recuos da Reconquista, esta zona ter sido fronteira entre o mundo cristão e o mundo muçulmano. Aliás, a cerca de 30 km de Estremoz há uma vila chamada Fronteira.

Atual Brasão de Estremoz

A palavra Estremoz derivaria de estr, que significa “brilhante”, por analogia com estrelado, e mós, que significa “pedras”, querendo Estremoz dizer à letra “Pedras Brilhantes”, por alusão à prolífica existência de mármore branco na região. Embora o “o” hoje se diga como “ô”, segundo esta tese de Xavier Fernandes (anos 40 do séc. XX) originalmente seria “ó” e com o tempo a oralidade transformou a vogal em causa, fechando-a. 

Brasão - Arte Aplicada Em Calçada Portuguesa

Lenda da Fundação de Estremoz

No tempo de el-rei D. Afonso III cometeram os moradores de Castelo Branco um atroz delito e desejando el-rei informar-se do caso mandou para este fim um ministro àquela vila, porém os seus moradores não só não consentiram na devassa mas antes agravaram mais a primeira culpa com o horrível atentado de quererem matar o ministro.

Porém este, valendo-se das regras da prudência em semelhantes casos suspendeu a diligência e passou à corte para informar a el-rei que lhe havia sucedido.

O príncipe, justamente irritado, ordenou ao mesmo ministro que, com muita gente armada, fosse à dita vila e que sem atenção a idade ou sexo passassem a todos pelo fio da espada.

Partiu o ministro em tempo em que determinava dar cumprimento ao real decreto. Viu que os moradores com uma devota procissão em que levaram o

Santíssimo Sacramento imploravam com muitas lágrimas a clemência de el-rei.

Este monarca, movido de uma natural compaixão, moderou o castigo, ordenando ao ministro que fizesse morrer todos os irracionais da vila e que os moradores dela fossem degradados e que a vila ficasse desabitada em pena da infame rebeldia dos seus moradores. O que tudo se executou.

Algumas destas famílias erraram de província em província até que foram dar ao derrotado castelo de Estremoz, onde junto dum copado e alto tremoceiro fundaram as primeiras casas e a rua Direita e, no fim desta, a paroquial igreja de Sant’Iago, a mais antiga de Estremoz.

Passados alguns anos, vendo que a povoação tinha já bastante número de moradores, deputaram dois para que, em nome de todos, fossem pedir a el-rei D. Afonso III que lhe desse o foral da vila, o que el-rei deferiu perguntando-lhes que armas queriam para a vila e qual havia de ser o nome da nova povoação,

ao que eles responderam que não tendo encontrado mais do que o sol, luz e estrelas que os cobrissem, e o tremoceiro ao pé do qual fundaram as primeiras casas, que estas queriam fossem as suas armas, e que por esta causa última queriam que a povoação se chamasse Estremoz.

Tudo el-rei lhes concedeu.

In Lendas e Outras Histórias, Estremoz, Escola Profissional da Região Alentejo / Núcleo de Dinamização Cultural de Estremoz 1995.

Agradecimento:

Para realizar esta pesquisa, contei com a preciosa ajuda da Câmara Municipal de Estremoz, nas pessoas da Sra. Marisa I. Serrano e do Sr. Luís M. Pereira, às quais agradeço pelos esclarecimentos, gentileza e pela boa vontade.

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