Camões: Eterno Exílio Em Constância

Camões: “Má Fortuna E Amor Ardente”

Ivanir Faria

Em Ceuta Perde o Olho Direito

Entre 1548 e 1550 a vila de Constância, próxima a Abrantes, na região do Ribatejo, em Portugal, foi pousada e desterro de Luís de Camões por circunstâncias diversas. A mais relevante delas foi para curar um amor não correspondido. O poeta escolheu fixar residência entre as calmas do confluir das águas de dois rios: Zêzere e Tejo. Ali teve tempo para reviver o drama amoroso descrito no Palmeirim de Inglaterra. Anos mais tarde, “junto de um seco, duro, estéril monte”, pode Camões relembrar, como refrigero, “a fresca de Abrantes”…

Constância - Vista Parcial

As ruas de Constância parecem preservar o aspecto plácido dos tempos do poeta. Aquela que foi sua pátria de exílio – amoroso, poético e judicial – fixou um monumento em sua homenagem numa destas praças calmas. Agora, inerte em bronze, o poeta certamente terá ainda mais vagares para reviver suas graças e desgraças amorosas e sociais.

Camões: Bronze e Eternidade...

 Resumo Biográfico

Camões teve uma vida bastante atribulada. Nasceu em 1524 ou 25. Descendia de família nobre. Um dos tios, iminente intelectual, era Reitor da Universidade de Coimbra e o auxiliou nos estudos, influenciando muito na sua formação.  Naquela instituição, Camões obteve o título de Bacharel de Artes. Voltou a Lisboa, passou a frequentar a Corte onde se inicia a sua fama de Poeta. Apaixonando-se por uma dama de honra da Rainha, D. Catarina de Ataíde, passa a dedicar-lhe  versos, com o anagrama de Natércia. Por não ter fortuna, não podia aspirar e concretizar este romance.  O exílio durante dois anos em Constância foi a solução encontrada para esquecer tal paixão. Passado o período de angústia, decide partir em uma expedição para o norte de África. Em Ceuta perde em combate o olho direito. De regresso, leva uma vida boêmia, feita de duelos, saraus, também reconhecimento popular, invejas…Num desses duelos fere um moço de arreios do Rei. Preso, é libertado um ano depois com a exigência de embarcar para a Índia. Era o ano de 1553. Viveu seus anos finais num quarto de uma casa próxima da Igreja de Santa Ana, em Lisboa num estado da mais indigna pobreza, “sem um trapo para se cobrir”. Faleceu em 10 de junho de 1580.

Aqui Jaz Luís de Camões

Agradeço ao http://erhos.cadernovirtual.net ( Pesquisa de textos e fotos)

Tejo e Zêzere: Encontro Marcado Em Constância

O rio Zêzere desagua no rio Tejo bem próximo de Constância. Depois descem as águas para formarem-se o ilhéu de Almourol. Na junção dos rios, o terreno desenhado na forma de proa de um barco onde cresceu a vila  longo dos anos. Inspirado por esta paisagem, Camões escreveu:

Oh! Pomar venturoso!/ De seu fermoso peso/ se mostra o monte ledo/ e o caudaloso Zêzere te estranha/ Por que olhas com desprezo/ Seu cristal puro e quedo. (Da Canção XII)

Corre suave e brando/ Com tuas águas claras/ saídas de meus olhos doce Tejo. (Égloga II)

O Encontro dos Rios Representado no Brasão de Constância

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