Rostos de Portugal em Vilas Boas

Dona Elsa: “E É Por Isto Que Eu Digo!”

Em seu livro “Rostos da Gente” Helder Pacheco afirma que “o maior patrimônio (de Portugal) são as pessoas. E a maior herança é ter memória”. Conheci Vilas Boas, aldeia do concelho de Vila Flor, distrito de Chaves, Região Norte. E lá,  uma senhora singular: D. Elsa. Não fomos apresentados, simplesmente eu saí à rua praticamente deserta e a vi a caminhar devagar. Ela sorriu e me encorajei a dizer-lhe “bom dia”. E com muita simpatia fui levado até uma igreja, da qual ela tinha as chaves. Apresentou-me todos os santos, como se fossem familiares: _”Esta é Nossa senhora da Conceição. Para mim, a mais bonita de todas, e é por isto que eu digo!”Levou-me às gavetas dos linhos bordados a mão para forrar os altares: “Estão um pouco amachucadas de tanto ficar dobradas, mas em vésperas de festas, serão todas lavadinhas, e é por isto que eu digo! Numa sacristia recheada de antiguidades finalizou: era aqui que meu irmão se aparamentava, e é por isto que eu digo!” De lá seguimos para sua casa. O Padre da Paróquia, há pouco falecido era seu irmão. Dele, única herdeira de uma biblioteca, manuscritos e apontamentos relacionados à Igreja. Ali, depois de um pulo numa cadeira, seu gato alcançou-lhe ombro encontrando um porto seguro e costumeiro, fugindo do intruso visitante…

D. Elsa: "É Por Isto Que Eu Digo!"

Saímos de casa rumo à capelinha. Encontramos na aldeia desertificada (Vilas Boas tem apenas 715 habitantes) dois de seus conhecidos, que logo responderam ao convite de posar para uma fotografia: _”O rapazinho é brasileiro, e é por isto que eu digo!” – explicou aos vizinhos já com dificuldades de andar e ouvir.

D. Elsa e Dois Amigos, Numa Aldeia Deserta

No interior da pequenina capela, que se torna imensa com uma só pessoa a rezar, D. Elsa continuou a apresentação dos santos e dos linhos: _”Sou eu que tenho as chaves das igrejas. Quando alguém quer rezar vem ter comigo e assim eu aproveito também para fazer as minhas orações, e é por isto que eu digo!”

O Interior da Capela

Tive tempo de ouvir tudo que D. Elsa tinha a dizer e ainda permissão para fazer muitas perguntas, que foram todas respondidas. Não contei quantas vezes ouvi o “e é por isto que eu digo!” ao final de cada frase. Eu ainda não conhecia o livro de Helder Pacheco. Estava descobrindo um Portugal já inserido em livros, mas o sabor de minhas descobertas e a curiosidade que me motivava a registrar tudo em fotos eram gratificantes. E até hoje, (cinco anos se passaram) volta e meia em uma conversa, mesmo sem querer, solto um “e é por isto que eu digo!”… A maior herança é ter memória!!!

http://pt.wikipedia.org/wiki/Vilas_Boas_%28Vila_Flor%29

http://pt.wikipedia.org/wiki/Vila_Flor

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