Redondo: Ruas Vestidas de Flores

Se Esta Rua, Se Esta Rua Fosse Minha…

Ivanir Faria

Imagine 33 ruas vestidas a rigor para uma grande festa. Com roupas de flores de papel, de dois em dois anos, Redondo é uma das cidades mais coloridas de Portugal. Esta tradição popular remonta ao século XIX e consiste na decoração das principais ruas da vila com flores e outros ornamentos, todos elaborados em papel colorido. Os moradores de cada rua organizam-se e escolhem um tema. A coordenação geral é competência do Município de Redondo que há 18 anos resgatou a fascinante Arte do Papel…

Como Tudo Começou…

Data-se de 1838 o registro mais antigo sobre a ornamentação das ruas organizada pelos residentes de redondo. As festas de Agosto em honra à N. Sra. de Ao Pé da Cruz certamente já aconteciam anterior a esta data, segundo relatos orais transmitidos de geração em geração. Entretanto, na década de 1940 às ruas de Redondo chegou a iluminação elétrica. O deslumbramento deste tipo de energia aos olhos dos moradores (só superado pelo brilho dos fogos de artifício) relegou a ornamentação das ruas ao segundo plano. Só um ano após a Revolução dos Cravos, em 1976, é que o Grupo Pró-Amigos de Redondo se reuniu na tentativa de recuperar a tradição de enfeitar novamente as suas ruas com papel. Estes jovens fizeram conhecidas as Festas de Agosto unindo a tradição à liturgia da N. Sra. de Ao Pé da Cruz.

Participação e Civismo

No pós 25 de Abril Portugal inteiro envolveu-se em um espírito cívico e de preservação das suas tradições. O que o grupo de jovens fez foi motivar as comunidades de Redondo à participação. Os mais idosos detinham o conhecimento da Arte do Papel e ainda alguma habilidade. Com o dinheiro obtido através de donativos, poupanças e rifas puderam transformar o sonho em realidade. Em 1977 já eram 16 ruas enfeitadas, o triplo do ano anterior. Mas a dedicação aos enfeites teve nova desmotivação com a atribuição de um prêmio à rua mais bonita. Isto porque a declaração da rua vencedora acontecera em condições controversas. Nos anos seguintes, durante o Agosto apenas algumas varandas, balcões e janelas se manifestavam em rendilhados e em outros enfeites de papel. O que se via aqui e acolá sobressaía para revelar as profundas marcas de tradição enraigadas na identidade cultural dos moradores de Redondo.

Flores

Durante décadas, os adornos de papel, resultado de espontaneidade e não de normas instituídas socialmente, terão acompanhado as festividades de Agosto. Mas estas práticas evoluíram para a afirmação enquanto elementos culturais de Redondo onde a presença dos artefatos de papel nas festas se tornou essencial.

Flores

O Regresso das Ruas Decoradas

Por iniciativa da Câmara Municipal de Redondo em 1994 o projeto Ruas Floridas literalmente “floresceu”. Ao assumir as despesas e a organização, a Câmara pode dar aos artesãos maior segurança para que pudessem libertar toda sua criatividade e Redondo viu, não só os adros, aduelas e caixilharias de algumas casas enfeitados, mas três ruas inteiras, todas coloridas com papel a dançar nos ventos de Agosto… O renascimento das Ruas Floridas de Redondo cresceu dos timidamente 3 ruas para as mais de 3 dezenas de ruas envolvidas. A Câmara investe cerca de 250 mil euros no evento.

Meses de Trabalho e Uma Semana de Festa

Em Novembro e Dezembro os moradores de cada rua decidem o tema e mantém sigilo absoluto sobre o mesmo até ao dia em que se dá início à decoração das ruas. A manutenção deste segredo revela aspectos curiosos de um desafio sadio. A preparação das Ruas Floridas tem efetivamente o seu início quando se erguem pilares e se montam estruturas de madeira. 
Nos meses que se seguem, centenas de pessoas entregam-se diariamente com dedicação à  missão de juntar pétalas, folhas e caules, rendilhar metros de papel cujo único prémio é o reconhecimento dos milhares de visitantes que passam por Redondo nos dias da Festa.

Presidente Cavaco Silva e a Primeira Dama D. Maria em Visita a Redondo

Texto adaptado e Fotos retiradas do site oficial da Câmara Municipal de Redondo.

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