A História da Cortiça

A Rolha e Outras Aplicações da Cortiça

Ivanir Faria

O Sobreiro é uma árvore nativa da região mediterrânea.  Quando os romanos e os gregos descobriram que sua casca boiava, cortavam bocados que prendiam às redes de pesca, impedindo-as de afundar. Estavam criadas as primeiras boias… Esta foi apenas uma das muitas maneiras que tiveram de utilizar a casca desta preciosa árvore…

A Casca Empilhada, As Árvores Descascadas Ao Fundo...

Uma Casca Versátil

Com a mesma casca também faziam solados amortecedores e confortáveis de suas sandálias e tapavam potes que queriam vedar. Os potes foram diminuindo de tamanho e suas tampas, também. Quando surgiram as garrafas, nada mais justo que as vedar também com cortiça para proteger seu conteúdo, normalmente o vinho. Criaram-se assim as rolhas… Mas por quê esta casca é tão especial? Porque mantém sua elasticidade, mesmo em temperaturas altas. Hoje a cortiça é usada ainda para vedar juntas de motores e é parte fundamental de placas térmicas usadas em naves espaciais. Em nossa casa pode aparecer como revestimento decorativo, peças de artesanato e pisos. Os restos e fragmentos da fabricação de rolhas – que requer nacos inteiros – além de serem reaproveitados em aglomerados, miolos das bolas de basebol ou cabos das varas de pescador, podem também transformar-se em tecidos para calçados, confecções e acessórios de Moda.

Um Trator Torna-se Veículo de Transporte

A Indústria da Cortiça

Portugal é o maior produtor mundial de cortiça, responsável por 55%. A Espanha vem em segundo lugar com 30%, e a Argélia, França, Itália, Marrocos e Tunísia  juntos produzem os restantes 15%. A União Europeia incentiva a plantação de novos Sobreiros. Esta cultura é ecologicamente correta, uma vez que não é preciso derrubar a árvore para se extrair a casca. Esta tarefa, antes feita com machado, tem de ser feita com cuidado. Hoje é utilizado um pequeno serrote. Após nove anos a casca volta a ter a espessura ideal para nova extração. Se nunca for retirada, pode atingir espessura superior aos 25 centímetros, o que protege a árvore contra o frio, o calor e até incêndios.

Mais de 200 Anos de Vida

Embora a primeira extração possa ser feita a partir dos 25 anos de vida de um Sobreiro, o ideal é que se espere pelos 50 para se obter uma rolha de alta qualidade. Não é muito tempo, levando-se em conta que a planta pode ultrapassar os 200 anos. Grande parte da beleza natural da paisagem do Portugal rural deve-se aos Sobreiros. Além de fornecer sombra e alimento para o gado, nesta árvore os Abutres-fusco, a Cegonha-preta e a Águia-imperial – todas ameaçadas de extinção – tecem seus ninhos. Outro ameaçado é o Lince-ibérico e ele tem seu último refúgio junto às florestas de Sobreiros em Portugal e Espanha. Além de tudo isto, a cortiça é um material biodegradável e reciclável. Nos tempos que correm, usar artigos naturais faz parte da consciência ecológica…

Em frente ao Museu da Cortiça de Silves o Sobreiro Número 9

Minha Escalada nos Sobreiros Seculares no Parque da Paz em Almada

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