A História das Bonecas

Boneca: Uma Doce Companheira…

Ivanir Faria

“A nossa boneca linda/ Toda bem feita de trapos/ Cabelo lã ou barba de milho,/ Toda ela feita em farrapos. (Quadra Popular, Almeirim, 1983)

Matrafona da Beira Alta (1970): Executada Com Restos e Trapos. É Uma Boneca Tradicional de Portugal

A Boneca é a mais antiga representação em forma de escultura da figura humana que se conhece.  As mais antigas foram encontradas em escavações arqueológicas em túmulos no Egito e na Mesopotâmia. Encontravam-se junto com outros brinquedos, podendo-se concluir que faziam parte do conjunto dos objetos mais importantes depositados junto ao defunto (nestes casos crianças) para servir-lhe de companhia além túmulo.

Também as civilizações greco-romanas legaram-nos bonecas (e outros brinquedos) em diversos materiais como  a madeira, pedra, osso, marfim, cera, terracota, chumbo e bronze. Em pinturas ou em alto relevo as bonecas aparecem também em vasos cretenses e gregos. As cenas representam jogos e brincadeiras entre crianças e adultos, deixando transparecer a importância das atividades lúdicas nestas civilizações.

Mas as bonecas também estão ligadas a crenças mítico-religiosas da sobrevivência da espécie humana. Uma das provas são as Vênus pré-históricas, “bonecas” usadas em manifestações rituais orais-gestuais com danças e cantos, além da linguagem falada. Vem daí a carga sexual assumida pelas bonecas através dos séculos e das diversas civilizações e que se mantém ainda hoje. Sob este aspecto, a boneca pode representar a mulher-sexo que, no inconsciente coletivo,  representa ainda os mitos da Virgem, da Mãe e da Prostituta. Além disto, a boneca é utilizada numa dimensão para-religiosa em práticas de bruxaria e feitiçaria – nos conhecidos vudus – e também em jogos sexuais adultos com o advento do plástico e a criação da bonecas insufláveis.

A Boneca Enquanto Brinquedo Infantil

Fotografia de 1960: Mãe e Filha? Irmãs? Amigas?

Antes de Começar

“Só as crianças é que gostam de bonecos… As pessoas grandes fartaram-se de ver bonecos e foram ver outras coisas.” Almada Negreiros

No século XIV em  Veneza e Florença já se confeccionavam bonecas, mas em escala artesanal uma vez que eram utilizada a técnica do papier-marché. Mas a popularidade das bonecas cresceu muito e surgiu a primeira fábrica em Nuremberg. É este o registro da  mais antiga documentação sobre a indústria de bonecas, também datada  do mesmo século. Nesta cidade da Alemanha iniciou-se a produção em escalas industriais das primeiras bonecas que no século seguinte passaram a ser executadas em madeira policromada, sendo os braços e pernas ligados ao corpo por fitas. As “Casas de Bonecas” surgiram também em Nuremberg mais tarde, no século XVII. Começaram e continuaram a representar as casas de acordo com a organização político-sócio-econômica vigentes.

As bonecas evoluíram e seu aperfeiçoamento foi graças ao surgimento de novos centros de manufatura e aos novos materiais como a cera e o barro vidrado, além de novas técnicas que permitiam melhorar cada vez mais a expressão fisionômica do rosto das bonecas. Neste contexto surgem no século XVIII as “Pandoras”. Eram bonecas que, vestidas com os trajes das últimas modas de Paris e enviadas às cortes europeias, serviam como amostra para se encomendar as criações francesas. No século XIX surgiram as bonecas em porcelana. Com a revolução Industrial surgiram as bonecas falantes e as de corda pois o desenvolvimento da maquinaria permitiu a introdução do movimento e dos sons nos brinquedos. Após a 2ª Guerra Mundial a industrialização atingiu o auge, principalmente com as várias utilizações dos plásticos. Mas tantos desenvolvimentos nos brinquedos e nas bonecas cerceavam muito o espírito de criatividade das crianças. Em 1979 foram apresentados 25 mil novos brinquedos na feira de Nuremberg. Em 1986 foram 60 mil. Estes números significativos provam a força econômica que tem o brinquedo na economia mundial.

Texto adaptado do livro “O Brinquedo Português” Madalena Braz Teixeira e Carlos Barroco – Bertrand Editora – 1987. Fotos idem.

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Uma resposta a A História das Bonecas

  1. Elisangela diz:

    Deixei o vestido rendado.
    As sapatinhas de lado.
    Tranças se desfizeram tão rápido.
    A boneca em baú guardado,
    é de mim o retrato
    nas mãos do tempo.
    Assim me lembro…
    Doce inocência
    a partir tão cedo.
    Cresci em um estalar de dedos,
    mas trazendo ainda no peito,
    as fases que vivi.
    Menina que virou mulher,
    amadurecendo os sonhos,
    sem perder a fé.
    Patty Vicensotti
    Meu amigo como falar da vida de uma menina sem falar de bonecas, esses versos de Patty Vicensotti , apenas vem confirmar a importância delas em nossa vida, como você descreve neste post e nos faz lembrar da boneca guardada na caixa velha companheira , ah se elas falassem!!!

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