Eu Fui No Tororó

Eu fui No Tororó

Eu fui no Tororó
Beber água não achei
Encontrei bela Morena
Que no Tororó deixei
Aproveita minha gente
Que esta noite não é nada
Se não dormir agora
Dormirá de madrugada

Oh ! Mariazinha, Oh ! Mariazinha
Entrarás na roda
Ou ficarás sozinha!
Sozinha eu não fico
Nem hei de ficar!
Por que eu tenho o Paulinho
Para ser o meu par!

Eu fui no tororó
Beber água não achei
Era igual o apartamento
Que outro dia eu aluguei
Eu fui no tororó
O cano estava arrebentado
Até no tororó
A água já tinha acabado

Sozinha eu não fico
Nem hei de ficar!
Por que eu tenho o Carequinha
Para ser o meu par!

Lenda Portuguesa da Fonte da Moura

No século IX na época da reconquista cristã muitos Mouros não tiveram tempo de fugir de Portugal e ficaram escravos. Outros refugiaram-se nos montes na esperança de um dia alcançar as terras de Maomé.

Fonte da Moura - Sandomil, Portugal

Conta uma lenda que, quando a aldeia de Sandomil foi libertada, uma linda moura, de pele morena, cabelos de ouro e embriagantes olhos verdes, refugiou-se junto a uma fonte de água que brotava junto ao rio, na margem esquerda, para nascente do povoado.
Morava numa cabana de palha de milho e passava os seus dias remendando roupas e penteando os cabelos ao sol, cujos reflexos eram tão fortes que afugentavam todos que tentavam aproximar-se.
Fiando o seu linho preparava as suas roupas tão alvas como o luar de Janeiro. Alimentava-se de amoras, abrunhos, cogumelos e pútegas, ervas da beira do rio e dos peixes, mas sem nunca se afastar da sua choupana.
Dizia-se que a moura tinha poderes sobrenaturais e por isso as pessoas passavam o menos possível por ali.
Dizia-se também que tinha uma voz tranquila e doce e muitos a ouviram a cantar melodias e a tocar uma harpa cujas cordas tecia com os seus dourados cabelos.
Durante o Verão, só um ou outro se atreviam a pedir-lhe água da fonte e a encantadora morena não negava água mas não emprestava vasilha para beber, limitando-se a consentir que as pessoas fossem beber da fonte.
Já adulta, a linda moura começou afastar-se mais da sua “mansão”, olhando como se por alguém esperasse.
Num belo dia, um esbelto rapaz, cavaleiro fidalgo cristão, caçador exímio, passou a caçar veados. De repente parou. Ouviu um leve ruído e olhando para lá viu uns lindos olhos verdes e brilhantes por detrás da ramagem. Lançou a mão ao arco e à primeira flecha, mas ficou paralisado. Seus olhos não conseguiam desviar-se dos que amorosamente o fitavam num misto de sedução e ternura.
Lentamente, a moura foi-se erguendo, bela, deixando adivinhar a pouco e pouco as formas divinas que as mais belas roupas, do linho mais puro, alguma vez tinham coberto.
Encantado o caçador aproximou-se devagar. A sua mão encontrou a da rapariga e sem dizerem palavra, dirigiram-se para a fonte. A moura encheu um lindo púcaro de cobre com aquela fresca e cristalina água, bebeu um pouco e estendeu o restante ao companheiro.
A seguir caíram nos braços um do outro. Um sorriso, um longo beijo, suave e quente selou o seu amor em juras de eternidade.
Alguém presenciou a cena e a contou aos habitantes de Sandomil, que depois tentaram encontrar o jovem casal, mas envoltos à felicidade, ternura e amor, desapareceram no meio do arvoredo.
Dizem que ainda hoje vivem felizes e nas noites de luar eles vêm à fonte matar a sede que alimenta com aquela água o seu amor eterno.
Por isso, quando os namorados se aproximam da fonte e bebem água pelo mesmo copo, cedo vem a casar e serão muito felizes, porque o seu amor também não terá fim.

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