De Onde Vem o Sobrenome Faria

As Remotas Origens dos Faria

Já no tempo de D. Afonso Henriques (1109 (?) 1185) vivia um senhor registado como João Faria. É a mais antiga pessoa que se conhece com o sobrenome “Faria”. João Faria foi pai do beato D. Godinho, designado arcebispo da cidade de Braga após a morte do arcebispo D. João Peculiar. Daí se propagou este apelido…

O Uso do Apelido em Outras Linhagens

São bastante nebulosos os princípios da família Faria, embora não faltando personagens de distinção com o sobrenome, não há ligações entre si, o que permite deduzir as gerações de fins do século XIV. O ramo principal, pelo brilho que adquiriu é o do Alcaide Nuno Gonçalves de Faria (assunto já inserido neste blogue em outro artigo anterior). No ano de 1373 os Castelhanos sitiaram seu castelo e Nuno em troca da própria vida o salvou. A descendência deste herói é das mais ilustres, entrando seu sangue nas principais famílias de Portugal. Igualmente, os poetas e prosadores, dramaturgos e artistas plásticos aproveitaram o heroico feito para comporem trabalhos em que se exalta o nacionalismo de tão nobre ato. O solar desta família é a localidade chamada Faria na vila de Barcelos, no sopé do monte da Franqueira, em cujo cimo se ergueu o castelo de Faria. A freguesia se chamava Santa Maria de Faria e a família provavelmente tenha tomado o o sobrenome da cidade e tenha se iniciado na Quinta da Onega do Paço, situada em Espeses, freguesia de S. Romão (que fica nos limites de Faria).

Outro João de Faria ligado à Igreja foi Frei. Estavam a correr os anos de 1277 quando ele assistiu à audiência pelo príncipe D. Afonso III ao núncio do Papa João XXI. Este Frei João de Faria era irmão ou filho de D. Teresa Martins, viúva de Pedro Martins da Infanta  e foi conselheiro do já então rei, D. Afonso III .  Pertenceu à Ordem dos Pregadores.

Chamada D. Teresa Anes de Faria, D. Teresa de Faria ou D. Teresa de Agrela, esta senhora instituiu o morgado da Agrela, em Barcelos, entre 1355 e 1358, ano em que parece ter falecido. Foi mãe de D. Gonçalo de Faria, deão da Sé de Braga, designado por D. Gonçalo Anes de Faria, falecido antes de D. Teresa.

Nas Inquirições de D. Afonso III, em 1288, fala-se em um Lourenço de Faria que era senhor da Quinta de Onega do Paço, que era até então de D. Estêvão Peres de Rates, agente de D. Afonso III e clérigo de D. Dinis (que também parece ser da linhagem dos Farias).

Em 1360, na certidão de casamento de D. Pedro I com D. Inês de Castro menciona-se um cavaleiro chamado Garcia Martins de Faria.

Nas Inquirições de D. Dinis figura um senhor Vicente Gonçalves que tinha propriedade na freguesia de Santa Maria de Faria Antiga e que devia pertencer à linhagem dos Farias. Esta propriedade foi herdada por D. Estêvão Peres de Rates juntamente com outra de Lourenço de Faria. As herdades juntas passaram a pertencer aos  Farias Machados, morgados da Bagoeira e senhores da Casa das Hortas.

Na Cronica de D. João I refere-se a Lopo Esteves de Faria como uma das pessoas notáveis de Loulé e Silves que acompanharam Nuno Álvares nos seus feitos de armas. Sendo ainda Regedor do reino, D. João doou bens em Évora em 1384 a Gomes Lourenço de Faria.

Em 1431 foram legitimados pelo rei, Rodrigo Aires de Faria e Guiomar de Faria, filhos de Aires Lourenço de Faria, morador de Portel, a receber os bens de Catarina Lourenço, que era solteira.

No ano de 1437 restituiu D. Duarte os bens situados no Ribatejo e em torres vedras a fernão Álvares de faria, recebedor da Alfândega em 1434.

João Vaz de Faria ou, apenas João de Faria foi escrivão, distribuidor e contador da Chancelaria da Correição do Algarve por mercê régia de 1439, e pai de Gil Anes de Faria, morador de Lagos, escudeiro do Infante D. Fernando, que sucedeu nos ofícios paternos em 1456.

A História dos Farias não fica por aqui. Como é extensa e diversificada, voltarei a tratar do assunto sempre que descobrir novos fatos em outros livros.  Meu objetivo é descobrir as datas da união dos Farias com os Correias, família a que pertenço.

As armas dos Farias são: de vermelho, com uma torre de Prata, aberta e iluminada de negro, acompanhada de cinco flores de lis de Prata, três em chefe e uma em cada flanco. Timbre: a torre do escudo, rematada por uma das flores de lis. O autor João du Cros em seu “Livro do Armeiro-mor” distinguiu, não se sabe por quê, as armas dos Faria em Ouro, em vez de Prata.

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Uma resposta a De Onde Vem o Sobrenome Faria

  1. Elisangela diz:

    Nunca nos ocorre que nosso sobrenome possa ir além de nossos avós, ou conter uma história menos recente do que a que estamos acostumados. Por isso acho fantástica a ideia de você postar a história dos sobrenomes pois aí sim, podemos dizer que começamos a saber de onde viemos na nossa gigantesca árvore genealógica.

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