Lesage: O Mestre dos Bordados

Lesage: Em Vez de Tintas, Miçangas e Paetês

A morte de Lesage no dia 30 de Novembro de 2011 deixou o mundo da Alta Costura mais empobrecido. O designer dos bordados fabulosos morreu em Paris aos 82 anos num hospital perto de sua casa, em Versailles, depois de uma longa luta contra uma doença que cujo nome não foi divulgado.

Lesage e sua equipe com cerca de 35 bordadeiras transpuseram, em 1988,  os íris e os girassóis  pintados por Van Gogh ((1853-1890) para os tailleurs Yves Saint Laurent. A proeza de arte sobre arte consumiu cerca de 250 000 lantejoulas de 22 cores, 200 000 miçangas e 250 metros de fitas nas blusas vedetes daquela coleção. Era só mais um trabalho espetacular!!!

Herdeiro de Linhas e Pedrarias

Durante 62 anos François Lesage trabalhou para continuar o negócio que herdara de seus pais. “Nasci sobre um monte de miçangas e lantejoulas”, dizia. Era uma casa de bordados luxuosos que seu pai havia comprado da família Michonet, que, por sua vez, a mantinha desde 1868. As salas modestas mas bem iluminadas do atelier eram onde se transformavam o sonhos (e até os devaneios) de estilistas como Yves Saint Laurent, Cristobal Balenciaga, Christian Lacroix, Dior, Valentino e Dolce & Gabbana em realidade.

Desde 2002 a casa Lesage era de propriedade da marca Chanel, mas continuava a atender aos seus novos e antigos clientes. Os bordados do atelier continuarão a ser feitos sob a supervisão de Hubert Barrère, sucessor “programado” para assumir o lugar de Lesage.

Em 2007 Lesage recebeu o titulo de oficial la Legião de Honra e mais recentemente o ministro da Cultura francês, Frédéric Mitterrand, concedeu a Lesage o título honorário de  Mestre das Artes.

Lesage nunca usou um computador nem máquinas de bordado ou costura. A ampliação ou a redução e a reprodução da padronagem para o tamanho da roupa a ser bordada é feita a mão pela desenhista. A perfuração do tecido também. As prateleiras acomodam mais de  35 000 amostras de bordados – com trabalhos feitos para nomes legendários como o fundador da alta-costura Charles Frederick Worth, Madame Vionnet, Elsa Schiaparelli, Christian Dior . Estão guardadas em caixas de papelão etiquetadas pela data e nome do cliente. O mesmo esquema serve para o armazenamento de 60 toneladas de aviamentos. “É preciso ter tudo à mão, e à vista, para imaginar o que ficará melhor num bordado”, dizia Lesage. A casa Lesage foi a responsável pela criação dos famosos bordados da casula e mitra do papa João Paulo II.

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