Doçaria Conventual – Toucinho do Céu

Toucinho do Céu: É Mesmo Um Doce Divino…

Os Doces Conventuais estão envolvidos em uma áurea de magia, de mistério. Nasceram nos conventos da Península Ibérica e ganharam fama. Em  Portugal são as referências da doçaria nacional…

Antes de degustar esta iguaria, em um restaurante em Cascais, fotografei a fatia…

Acredita-se que foi em Murça que nasceu a receita original deste doce. O toucinho-do-céu é uma herança das freiras beneditinas que durante séculos estiveram instaladas num mosteiro existente na vila de Murça, até finais do século XIX.  Em Murça há também uma famosa lenda da Porca, mas o toucinho do céu é  mais conhecido, uma vez que se popularizou por todo o país. Na vila esta iguaria ainda é confecionada de forma tradicional.

O Toucinho do Céu de Odivelas

A receita de Toucinho do Céu do Convento de Odivelas é a mais famosa pois daí restou a última freira de Portugal, depois de extintas as ordens religiosas. Consta que, depois da morte da última freira, encerrariam cada um dos conventos portugueses. Esta última freira deixou de herança o caderno contendo as receitas daquele convento que ganhou edição primorosa incluindo fotos e o  fac-símile de suas receitas e de seus apontamentos…

Apresento duas versões do Toucinho do Céu de Amarante (região entre o Douro e o Minho) por ser a mais simples receita. Ao fim do post um vídeo mostra a versão da receita da cidade de Murça.

Receita do Toucinho do Céu de Amarante

500g de açúcar/ 250g de água/ 325g de miolo de amêndoa sem pele e moída/ 12 gemas de ovos/ 15g de farinha de trigo/ 35g de manteiga derretida.

ou

500g de açúcar/ 250g de água/ 250g de miolo de amêndoa sem pele e moída/ 9 gemas + 3 claras de ovos/ 60g de farinha de trigo/ 50g de manteiga derretida.

Modo de Preparar

Mistura-se o açúcar com a água em um tacho, leve ao lume e não mexa mais para não granular até atingir o ponto de pérola (Mergulha-se a ponta de uma colher e levanta-se. Se ao cair formar uma gota em forma de pérola está no ponto). Nessa altura mistura-se a amêndoa. Ferve um pouco e arrefece. Juntam-se as gemas bem batidas, a manteiga e a farinha. Volta ao lume mexendo sempre até fazer ponto de estrada (Ao deslizar a colher no fundo do tacho fica uma estrada separando a massa). Depois de fria, deita-se a mistura em uma forma de 18 ou 20cm de diâmetro untada com manteiga e forrada com papel vegetal, também untado com manteiga. Peneire uma camada de farinha sobre a massa. Leva-se ao forno médio para cozer. Desenforma-se quando morno, retira-se o papel e vira-se em um prato. Retira-se o excesso de farinha e por cima peneire uma generosa camada de açúcar de confeiteiro e alise com uma espátula.

As receitas de Toucinho do Céu são várias. Conforme a região e os ingredientes ali disponíveis, podem ser acrescentados à massa o”Doce de Abóbora Gila (ou Chila), como por exemplo em Espiche, no Algarve ou em Murça, Trás-os-Montes. O Cidrão ( Doce de Cidra) também aparece como ingrediente em algumas receitas

Fotos do Convento de Odivelas – Portugal

Nave Central

Estátua da Rainha Santa Isabel

Pátio Lateral

Brasão

Pátio Central

A Data Fixada em Azulejos

Da pequena janela  as freiras se comunicavam com o mundo exterior (mas não se deixavam ser vistas…), recebendo gêneros alimentícios e outros bens.  A porta restringia a entrada a apenas alguns e em situações execepcionais… como em caso de doença.

Toucinho do Céu do Convento de Santa Clara – Guimarães

Murça

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Gideon Sundback e o Zíper

Gideon Sundback e o Zíper

Foi na altura da Segunda Guerra Mundial que a indústria de uniformes militares sentiu a necessidade um mecanismo que agilizasse o “abotoar” das fardas. Imagine um soldado às pressas abotoando um a um todos os seus botões… Recorreram a um invento que em  1914 fora aperfeiçoado por Otto Fredrik Gideon Sundback, até então só usado em botas e em bolsas de guardar tabaco. Da guerra para o dia a dia e a Indústria de confecções e a Moda nunca mais seriam as mesmas…

Gideon Sundback foi mais um dos europeus que migraram para os Estados Unidos e encontraram “o lugar certo e a hora” fazendo deles uma oportunidade. Sundback nasceu na Suécia e mais tarde viveu na Alemanha. Seus pais eram fazendeiros, mas ele era criativo. Havia sido inventada uma engrenagem presa a uma tira de tecido que, unindo-se a outra igual acionada por um cursor, se encaixava e unia duas extremidades, mas que apresentava uma falha: a tendência de soltar-se facilmente. O engenheiro elétrico debruçou-se sobre o problema. Mexeu e remexeu e… Eureka!!! Modificou o sistema de encaixe dos elementos laterais, quase triplicou sua quantidade por centímetro e criou o deslizador em Y que unia os elementos laterais como se fossem uma única fita. E patenteou suas inovações, claro!

Ilustrações da patente de Gideon Sundback de 1914

Parece complicado de se explicar, mas tão simples de se utilizar. E fazemos uso da invenção de Sundback várias vezes ao longo do dia… Em 1923 um fabricante de botas que utilizava o mecanismo de Sundback o batizou de zipper (talvez por ouvir o som do descarrilar das duas engrenagens). No Brasil o zíper também é conhecido como fecho-ecler  (uma variante do francês) e em Portugal é simplesmente “fecho”.

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Dia da Terra

Dia da Terra: Viva Vida!

PAPOILAS

Hoje, 22 de Abril, comemora-se o “Dia da Terra”. Um dia para reflexões diversas sobre o nosso planeta. Tão velho, e tão jovem. Tão castigado desde sempre, mas igualmente sempre se renovando…

TREVO

A minha homenagem ao Planeta Terra se faz baseada no fato de que ele ganhe a inicial maiúscula “Terra”, mas do elemento “terra”, de onde tudo nasce e cresce e floresce é que temos a mais simples forma de sustentabilidade.

Insiro fotos de plantas que brotam em minúsculos pedaços de terra, e mesmo assim florescem…

FIGUEIRA

Aqui, uma figueira, provavelmente de uma semente trazida por pássaros ganha força sob uma janela no Convento de Odivelas…

Uma fenda no muro e um arbusto se fortalece…

Entre as pedras da calçada portuguesa, numa árida terra, esta espécie de flor verde luta pela sobrevivência…

NABO

Deixem-me aqui sossegado no meu cantinho…

E aqui registo o estreitamento deste caminho de terra batida que vai sendo dia a dia tomado pelo verde. Certamente escassearam os pés dos viajantes que ali pisavam…

Por sugestão de minha Amiga Elisa Campos, insiro os nomes das flores e também a canção “Rancho das Flores” de Vinicius de Moraes

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Pelos Caminhos de Portugal

Pelos Caminhos de Portugal, Por Onde Andar, Adoro Ver e Fotografar Flores…

Começamos com música…

E agora, as fotografias das flores que encontrei dias destes na Primavera em Portugal…

E para terminar, uma flor comparada ao meu polegar!!!

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Páscoa Feliz

Páscoa é Luz

Feliz Páscoa com muita Luz e Energia a todos!!!

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Uma Flor Comestível: Nabiça

Nabiças

O Nabo é uma planta bastante conhecida cujo tubérculo é comestível. Mas o que poucas pessoas sabem é que em Portugal os pendões de uma planta da mesma família, chamada de Nabiça, são mais apreciados que as raízes do Nabo. Comercializam-se aqui os “grelos” da Nabiça em flor. São utilizados como guarnição ou são a própria “matéria-prima” para alguns pratos, muitos de origens orientais.

Planta da família do Nabo

Brassica rapa L. é o nome científico dado ao nabo, que pertence à mesma família da mostarda e do repolho. Uma planta crucífera de tubérculo (raiz) comestível rica  em cálcio e de poucas calorias. A parte superior da raiz se alarga bastante para formar a parte que se come. As folhas também são comestíveis e há lugares onde são usadas em salada, mas como Grelos ou Nabiças, as flores vão para dentro da panela também. As folhas do nabo constituem um excelente alimento. Apresentam um alto teor de vitamina A, do complexo B e de vitamina C. São saborosas, e suas fibras contribuem para regularizar o funcionamento intestinal.O Nabo é largamente cultivado no norte da Europa, E.U.A e Canadá. No Brasil embora cultivado e consumido, não é dos legumes mais comuns. Ainda mais difícil  para os brasileiros se assimilar que se comam os pendões da Nabiça…

As Origens Perderam-se…

Não se sabe quando se começou a consumir nabos. Sabe-se que o alimento comum entre os gregos e romanos e vem sendo há muito tempo consumido na Europa Setentrional.

 Nasceu na Calçada, Sem Ser Semeada…

Não era de me espantar ao ver uma grande planta no canto de uma calçada (passeio) toda florida, na “Rua da Amizade”, na Baixa da Banheira, município do Barreiro, em Portugal, se não fosse ela um planta da família do Nabo, parecida com a Mostarda brasileira.

Resta saber se a raiz terá meios de se expandir entre as pedras da calçada portuguesa. Como foi a sua semente ali parar?

Os nabos são de fácil cultivo.São ideais para hortas domésticas, e as sementes podem ser plantadas em carreiras diretamente no solo. Os horticultores costumam desbastar as plantas, de forma a deixar um espaçamento de 5 centímetros entre as mudas. A safra atinge o ponto de colheita em dois meses. A colheita pode ser estocada a temperaturas frescas.

Sugiro que compre um pacote de sementes de nabos e plante-os em sua horta. Deixe-os crescer até dar folhas tenras e experimente comê-las em refogados… E se tiver ainda mais paciência, deixe crescer os tais pendões (grelos) e depois experimente usá-los em pratos como o Arroz de Grelos, o Bacalhau com Grelos… Se precisar das receitas, peça-me!!!

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YouTube & Maria Callas

YouTube, Novo Palco Para Callas

Uma das maravilhas da Internet é que podemos ter a oportunidade de descobrir vídeos raros, como este de Maria Callas:

Além do aspeto da “Música”, observe o aspeto “Moda”. Nunca vi uma pessoa fazer tão bem o uso de um recurso de umn vestido – neste caso as mangas esvoaçantes – com La Callas…

Assista ao vídeo e deixe seu comentário.

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